segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Livro retrata soldados da guerra santa


Com narrativa envolvente, Lawrence Wright consegue mostrar como surgiu o radicalismo islâmico
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Em “O vulto das torres” o autor Lawrence Wrigth mostra toda a trajetória de construção do pensamento radical islâmico no oriente médio, até os ataques terroristas de 11 de setembro. Engana-se quem pensa que o ódio pelos costumes norte-americanos e a Jihad, guerra santa, é uma coisa de alguns poucos comandados de Osama bin Laden. Na narrativa envolvente do livro, que não ganhou à toa o prêmio Pulitzer de melhor não-ficção, conseguimos perceber que vários foram os pensadores os quais influenciaram as teorias ortodoxas islâmicas.

Um dos méritos do livro é centrar a história nos personagens. O primeiro deles é Sayyid Qutb, que se surpreendeu com o modo de vida americano ao mudar-se para os EUA. Ofendeu-se com coisas que nós adoramos na civilização ocidental. Considerou o futebol americano um jogo selvagem, e entendia que os espectadores também partilhavam de seu selvagerismo. Entendia o jazz como “a música americana criada para satisfazer os seus instintos primitivos – o amor ao barulho e o apetite sexual”. E não compreendia uma sociedade em que as mulheres tivessem tanta liberdade, principalmente nas questões envolvendo sexo. Apenas um ano depois de sua chegada aos Estados Unidos ele publicou um texto que já dava dicas de sua revolta. “ O mundo é um menino ingrato” conta a história de como o Egito tornou o mundo um lugar civilizado e como o mundo virou as costas ao Egito. Já no país dos faraós, Qutb publicou sua obra mais conhecida: “Marcos”. Por fim, ao saber que seria enforcado Sayyid Qutb declarou: “Graças a Deus. Realizei a Jihad durante quinze anos até merecer este martírio”.

Outro personagem é Ayman al-Zawahiri, o numero 2 da rede Al-Qaeda. Zawahiri cresceu num bairro de classe média, e cursou a faculdade de medicina na Universidade do Cairo. É surpreendente como Lawrence Wright mergulha na vida pessoal de Ayman a fim de entender o que ocorreu com o médico intelectual para que se tornasse um radical reacionário. Acreditando em ajudar os “irmãos muçulmanos”, ele lutou na Guerra do Afeganistão, que durou de 1979 a 1988, ao lado dos americanos, a quem ele não tinha nenhuma simpatia. “Estamos aceitando ajuda americana para combater os russos, mas eles são igualmente ruins”.
Zawahiri acaba criando a Al-Jihad, facção terrorista que vem a se juntar com a Al-Qaeda, por estar destroçada e sem dinheiro

Bin Laden, o homem que financiou e coordenou os ataques terroristas de 11 de setembro, aparece no livro inicialmente como um garoto apaixonado por filmes de faroeste e que gostava de jogar futebol. Aos catorze anos Osama despertou religiosamente. Parou de usar trajes ocidentais e ficava em frente à televisão vendo notícias da Palestina, frustrado com aquela situação. Na faculdade dedicou-se muito tempo à interpretação do alcorão e da Jihad.

O medo da morte retardou a sua participação na guerra que acontecia no Afeganistão, fato que o envergonharia mais tarde. “Pedi perdão ao todo-poderoso, sentindo que havia pecado ao dar ouvido aos que me aconselhavam a não ir para lá”.
Em 1988 ele cria a Al-Qaeda, a organização terrorista responsável pelos ataques às torres gêmeas. É mostrado no livro como carismático e com um complexo messiânico. Investe em negócios que não dão em nada, é enganado muitas vezes e vê sua fortuna ir embora enquanto morava no Sudão. Acaba unindo forças com Zawahiri e sendo expulso do país, escolhendo o Afeganistão como sua nova casa.

John O´Neill é um homem totalmente desconhecido. Ele é retratado no livro por ter sido um dos primeiros funcionários do FBI, polícia federal americana, a desconfiar de Bin Laden. Suas investigações não avançavam por não conseguir cooperação da CIA, central de inteligência, o que demonstra a incompetência e a competição entre as duas agências. O atrapalhado e mulherengo O´Neill, acabou indo trabalhar no Word Trade Center, e morreu nos ataques do dia 11.

É um livro fantástico, que mostra o ser humano por trás do terrorista, as oscilações de Osama, que por vezes no Sudão pensou em parar com a Jihad, além de mostrar o papel que teve a repressão egípcia na formação dos ideais de Zawahiri e as falhas graves geradas pela falta de troca de informações entre a CIA e o FBI.

George Lawrence Wright

George Lawrence Wright nasceu em 2 de agosto de 1947 cidade de Oklahoma. Cresceu em Dallas, no Texas, formou-se pela Tulane University. Em 1969, foi ao Egito para estudar linguística árabe e também para lecionar na Universidade Americana do Cairo, onde permanceu por 2 anos. A prestação deste serviço lhe concedia o direito de não precisar servir ao exército. Na cidade de Cairo viu de perto a formação do radicalismo islâmico. Escreveu seis livros, além de ter sido co-roteirista no filme Nova York sitiada, que tem a participação de grandes atores como Denzel Washington, Bruce Willis e Tony Shalhoub, numa história de ação que envolve ataques terroristas na cidade de Nova York.

Em 2007 ganhou o prêmio Pulitzer de melhor livro não-ficção pelo ótimo trabalho em “O vulto das torres”. Wright realizou uma apuração genial, com pesquisas em vários países e 562 entrevistas, que resultaram na obra que permaneceu durante 8 semanas em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, e já foi traduzido para 25 línguas. O nome do livro em inglês - “the looming tower” - remete a frase que Osama bin Laden falou repetidamente em um vídeo que foi gravado na hora dos ataques as torres gêmeas - “Wherever you are, death will find you, even in the looming tower” – “Onde você estiver, a morte vai lhe encontrar, mesmo na torre imponente”.

O jornalista falou sobre as mazelas deste complicado trabalho de apuração em entrevista a revista veja. “É muito complicado entrevistar pessoas ligadas a movimentos terroristas. Eu nem sempre sabia exatamente com quem estava falando ou que intenções ocultas os entrevistados teriam”.

Wright passou parte da sua vida escrevendo sobre intolerância religiosa, experiência que ajudou na consistência do livro e a caracterizou como a grande obra entre as pesquisas já realizadas sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Um grande mérito do levantamento, foi o relato da vida de John O´Neill, ex-agente que morreu nos ataques as torres gêmeas, virando herói, e cuja vida tem como pano de fundo, uma violenta história de competitividade entre órgãos americanos de inteligência, principalmente CIA e FBI, que resultou em buracos no que se sabia sobre as organizações terroristas no oriente médio. O escritor está transformando a história de O´Neill em um roteiro para o estúdio MGM.

Atualmente, George Lawrence Wright é colunista da revista The New Yorker, para qual ele escreve desde 1992.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O trânsito das estrelas.


Heitor, um professor de literatura quarentão, namora Júlia, uma jovem atriz que adora dançar.
Os dois namoram há três anos e os desgastes do relacionamento surgem graças as pequenas, mas relevantes, diferenças entre os dois.
É o começo do filme de Lina Chamie, "Via Láctea".
Após uma discussão pelo telefone que resultou no rompimento do casal, Heitor( interpretado por Marco Ricca) pega seu carro e resolve ir até a casa da namorada.
E assim, o longa se desmancha.
Ao entrar no carro, Heitor está decidido a ir atrás de Júlia(interpretada por Alice Braga) e tentar uma reconciliação, mas algo o impede de tal feito, e não é o medo de não consertar as coisas ou as incertezas de como será o futuro sem esse amor.
É o trânsito paulistano.
O personagem principal do filme é o fim de tarde na cidade de São Paulo.
Ricca contracena com as buzinas incessantes, com os pedintes rotineiros, com os faróis que cegam, com a modernidade que assombra.
E assim, a história acontece com os diversos flashbacks e as divagações existenciais de um homem que se vê atordoado com os problemas urbanos e o medo de perder a mulher que ama.
É um filme bom, mas um pouco parado, o que chega a ser contraditório, visto que mostra o ritmo alucinante da metrópole em cada cena.
Distinto das habituais produções nacionais atualmente, se destaca pelo fato de ser mais reflexivo, sem cifras milionárias.
Certas cenas são comuns, o casal no alto de um dos maiores prédios da capital paulista seguram uma caixinha de música, a dança silenciosa de Júlia diante de um Heitor indefeso, o rosto de Júlia em um dos outdoors da cidade...mas por ser um filme que retrata uma história de amor, é super plausível.
A história termina e ao mesmo tempo começa, o que pode gerar uma certa confusão aos que assistem. Heitor espera o amor, assim como espera o trânsito andar.
Quem procura um filme com uma grande história, cheia de aventuras ou agitação, como uma autêntica paulicéia desvairada, se decepciona.
"Via Láctea" é a prova de que, dependendo da hora (ainda mais se ela for a do "rush") o amor pode e deve esperar.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Leitura Corporal.





Diferente.

Essa é a definição do livro A via crucis do corpo de Clarice Lispector.

Escrito em 1974, com 13 contos mais uma “Explicação”, Clarice surpreende com a linguagem rápida e leve. Feito em apenas um final de semana, o livro possui apenas um personagem: o corpo.

Ele deseja, chora, reflete, espera e sofre. Eles são distintos, enigmáticos e reais.

Eis alguns deles: o da freira que deseja o corpo de um homem em “Melhor do que arder”, da senhora que implora pelo corpo jovem de um menino em “Mais vai chover”, das duas mulheres que se juntam para satisfazer um machista em “O corpo” e o corpo que desafia e recebe a “benção” divina em “Via crucis”, conto que intitula o livro.

As histórias tratam o sexo com uma pequena indiferença e pela época que foi lançado, obteve uma crítica não muito boa, rebaixando a escritora e julgando o livro como “uma obra menor”.

Feito sob encomenda, não é de longe, a melhor produção de Clarice realmente, mas vale a pena ler pela reflexão que os escritos da autora sempre despertam no leitor. Ao ler, não só pensamento é imediato, mas o corpo também entra na história. Sai o corpo-leitor e entra o corpo-personagem.

Em A via crucis do corpo, seu corpo se cansa de tanto ler.

Um trecho do conto "O corpo":

"Xavier era um homem truculento e sangüíneo. Muito forte esse homem. Adorava tangos. Foi ver O último tango em Paris e excitou-se terrivelmente. Não compreendeu o filme: achava que se tratava de filme de sexo. Não descobriu que aquela era a história de um homem desesperado. Na noite em que viu O último tango em Paris foram os três para a cama: Xavier, Carmem e Beatriz. Todo o mundo sabia que Xavier era bígamo: vivia com duas mulheres. Cada noite era uma. Às vezes duas vezes por noite. A que sobrava ficava assistindo. Uma não tinha ciúme da outra."

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Canções de amor


Ao me deparar com a canção Eu te amo de Chico Buarque, pude perceber que o amor é e sempre será o melhor tema para se trabalhar nas artes.
Porém, por ser o melhor e também o mais trabalhado, é difícil achar uma música com uma letra original e com uma melodia que encanta.
E foi isso que achei na obra do compositor.
A letra é de uma peculiaridade incrível, começa mansa, como se a música surgisse depois de uma bela noite de amor e, após tudo, os dois começassem a pensar sobre a relação. Digo os dois, visto que Elis Regina faz o eu-lírico feminino na letra e Chico Buarque o eu lírico masculino.
O letrista usa palavras incomuns e ao mesmo tempo, elabora frases extremamente simples. No verso “ Dei para sonhar, fiz tantos desvarios”, a palavra “desvarios” significa loucura, delírio. Não é uma palavra popular e dificilmente conhecida, o que produzirá uma certa dúvida no ouvinte. Já no segundo verso “Me diz pra onde é que inda posso ir” de acordo com a norma gramatical, não está correta, aquela história de que pronome oblíquo não inicia frase, mas que é característico da fala coloquial do brasileiro. Sem contar que a palavra “ainda” sofreu uma mudança resultado da rapidez ao citar certas palavras , aquela coisa de pós-modernidade na linguagem etc. e virou “inda”. Mas isso não importa, o que é relevante é o jeito como Chico coloca isso, como se o amor não seguisse nenhum tipo de regra.
Incrível o jeito como o cantor cita de uma forma “subliminar” diversos personagens na canção. Na terceira estrofe, ao descrever o paletó enlaçando o vestido, a idéia de um esposo e esposa, que dividem a vida, que já passaram pela fase paixão e agora só querem aproveitar esse lar que construíram para serem felizes. Já na terceira estrofe, ao citar a confusão das pernas nas noites eternas, a história do amor com mais entusiasmo, da típica juventude. E na sexta estrofe ao citar o sexo como “pagão”, o drama dos religiosos, que só consideram o sexo com fins reprodutivos.
Só não concordo com a última estrofe, o vocativo “tonta” poderia ser descartado, mas é usado para demonstrar o desespero do “homem” para com a “mulher” que insiste que ele vá embora, quando ele quer tanto ficar.
A melodia é suave, começa com um piano em notas rápidas, mas fica calma com a letra. A pausa entre uma voz outra com instrumentos mais fortes, dão um quê a mais na música.

É uma canção belíssima, que vale a pena ser apreciada em noites de inverno, com direito a um bom vinho e uma ótima companhia.





domingo, 20 de julho de 2008

Novo filme do Batman

"Você morre como herói, ou então vive o tempo suficiente para se tornar o vilão".

O novo filme do homem-morcego já é recorde de bilheteria. “Batman - O cavaleiro das trevas" arrecadou US$ 155,3 milhões em três dias. E para surpresa de quem aqui vos fala, não é Batman e nem a mocinha do filme, Maggie Gyllenhaal, que chamam a atenção do telespectador.

Heath Ledger arrebenta como o coringa. Sim, é o cara que morreu de overdose. Aquele mesmo, o caubói homossexual de "Brokeback mountain”. Finalmente, é o vilão que rouba a cena em um filme de super-herói. Ele deixa no ar de sua interpretação um quê de doente mental nas ações do coringa. O abusado “Jokker” rouba a máfia, a chantageia e ajuda na formação de um outro vilão conhecido de Batman, o Duas Caras.

O interessante é a transformação de Batman, passando de herói à bandido na visão da população, concretizando a frase "Você morre como herói, ou então vive o tempo suficiente para se tornar o vilão", repetida várias vezes durante o longa. Esta transformação também explica o nome do filme.

sábado, 19 de julho de 2008

O primeiro livro.



Muitos começam a gostar de ler com os grandes cânones da literatura. Uns são descobertos por Crime e Castigo, do Dostoievski, outros ainda se lembram como foi ler Machado de Assis pela primeira vez (muitas vezes no vestibular, diga-se de passagem)
No entanto, a minha paixão pela leitura foi Marcelo Rubens Paiva que fez nascer, com o seu Feliz Ano Velho.
Nada de linguagem rebuscada e muitas páginas, é um livro simples com um vocabulário jovial. Marcelo utiliza um novo tipo de “conversa com o leitor”, o autor não se dirige diretamente a ele, mas conta a sua história, e nós, leitores, escutamos com a maior atenção.
A obra é autobiográfica, conta como ficou a vida de Marcelo após o acidente que o deixou tetraplégico pouco antes do Natal.
Uma narrativa que possui todos os fatores para ser angustiante, Paiva transforma em “experiência de vida”.
Os namoros adolescentes, a vida de universitário, o desaparecimento do pai devido à ditadura militar. Acontecimentos relatados numa linguagem um pouco depravada, o que causou problemas para o autor na época em que foi lançado, 1983. Várias escolas proibíram sua leitura em classe, pela crítica severa contra a repressão política e pelo excesso de palavrões no texto.
Com os flashbacks presentes em todo o livro, você acompanha as lembranças de quem mudou de vida, mas que não quer esquecer o passado.
Foi assim que eu comecei a ler, recebendo essas palavras risonhas relatando acontecimentos tristes e levando esse hábito para toda a vida.
Descubra essa paixão também.
Aposto que Marcelo Rubens Paiva pode te ajudar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Tudo que eu sei, aprendi vendo Family Guy


Conhecido no Brasil como "Uma família da pesada", Family Guy é um desenho de humor destinado ao público jovem e ao público adulto. Divertido, segue a mesma linha de raciocínio dos Simpsons, porém menos politizado e com um toque maior de diversão "nonsense". Alguns exemplos podem ser dados com Rudolf, a rena do papai noel, que descobre que seu nariz é vermelho por causa de um tumor, ou Brian, o cachorro que por um episódio namora forçadamente com Meg.

O desenho apresenta o cotidiano de Peter, o pai de família gordo e burro, Lois, sua mulher, Stewie, o bebê, que em certos momentos é maquiavélico, sua filha Meg, adolescente que luta para adquirir moral em sua escola, seu filho Chris e o cachorro falante, intelectual e fumante Brian. E é claro o pevertido Quagmire, vizinho da família.