quarta-feira, 23 de julho de 2008

Canções de amor


Ao me deparar com a canção Eu te amo de Chico Buarque, pude perceber que o amor é e sempre será o melhor tema para se trabalhar nas artes.
Porém, por ser o melhor e também o mais trabalhado, é difícil achar uma música com uma letra original e com uma melodia que encanta.
E foi isso que achei na obra do compositor.
A letra é de uma peculiaridade incrível, começa mansa, como se a música surgisse depois de uma bela noite de amor e, após tudo, os dois começassem a pensar sobre a relação. Digo os dois, visto que Elis Regina faz o eu-lírico feminino na letra e Chico Buarque o eu lírico masculino.
O letrista usa palavras incomuns e ao mesmo tempo, elabora frases extremamente simples. No verso “ Dei para sonhar, fiz tantos desvarios”, a palavra “desvarios” significa loucura, delírio. Não é uma palavra popular e dificilmente conhecida, o que produzirá uma certa dúvida no ouvinte. Já no segundo verso “Me diz pra onde é que inda posso ir” de acordo com a norma gramatical, não está correta, aquela história de que pronome oblíquo não inicia frase, mas que é característico da fala coloquial do brasileiro. Sem contar que a palavra “ainda” sofreu uma mudança resultado da rapidez ao citar certas palavras , aquela coisa de pós-modernidade na linguagem etc. e virou “inda”. Mas isso não importa, o que é relevante é o jeito como Chico coloca isso, como se o amor não seguisse nenhum tipo de regra.
Incrível o jeito como o cantor cita de uma forma “subliminar” diversos personagens na canção. Na terceira estrofe, ao descrever o paletó enlaçando o vestido, a idéia de um esposo e esposa, que dividem a vida, que já passaram pela fase paixão e agora só querem aproveitar esse lar que construíram para serem felizes. Já na terceira estrofe, ao citar a confusão das pernas nas noites eternas, a história do amor com mais entusiasmo, da típica juventude. E na sexta estrofe ao citar o sexo como “pagão”, o drama dos religiosos, que só consideram o sexo com fins reprodutivos.
Só não concordo com a última estrofe, o vocativo “tonta” poderia ser descartado, mas é usado para demonstrar o desespero do “homem” para com a “mulher” que insiste que ele vá embora, quando ele quer tanto ficar.
A melodia é suave, começa com um piano em notas rápidas, mas fica calma com a letra. A pausa entre uma voz outra com instrumentos mais fortes, dão um quê a mais na música.

É uma canção belíssima, que vale a pena ser apreciada em noites de inverno, com direito a um bom vinho e uma ótima companhia.





0 comentários: